Aqui vai o quarto conto da série Crimes Reais: Portugal em Silêncio, baseado num dos casos mais controversos da justiça portuguesa moderna.
"O Advogado e o Martelo"
Porto, 2013
Chovia no Porto naquela noite de março. O vento empurrava os telhados e as ruas brilhavam como espelhos partidos. Dentro de um apartamento no bairro da Foz, Macauley Ekpenyong, empresário nigeriano, caía no chão com a cabeça esmagada por um martelo. Ao lado do corpo, um silêncio ensurdecedor — e as marcas da raiva.
O culpado? Um homem improvável: Domingos Névoa, advogado português, discreto, educado, bem posicionado. Foi ele quem agendou o encontro. Foi ele quem saiu sozinho do prédio. Foi ele quem, dias depois, confessaria o crime — num enredo de dívidas, desespero e honra distorcida.
Mas o caso tornou-se famoso por outro motivo. No tribunal, o advogado alegou legítima defesa. Disse que temeu pela própria vida. Que o morto o ameaçara. A tese convenceu… parcialmente.
Foi condenado a seis anos de prisão. Pouco, para quem matou com brutalidade. Muito, para quem dizia ter agido em pânico.
A família da vítima nunca aceitou a versão.
Para eles, o martelo bateu com intenção.
O Advogado e o Martelo Mistério no Porto Parte 1



