Terceiro Conto – “O Monstro de Aguiar da Beira”
Guarda, 2007
A aldeia era pacata. Pequena, fechada. Ali, todos se conheciam — ou pensavam conhecer. Mas entre as árvores frias da Serra da Estrela, escondeu-se um dos criminosos mais calculistas e frios da história recente de Portugal.
João Gouveia, funcionário da Câmara Municipal, inteligente, simpático, prestável. Também assassino. Entre 2005 e 2007, matou pelo menos cinco pessoas — com métodos brutais, sempre em locais isolados e com aparente ausência de ligação entre as vítimas. Mas havia um padrão: todas foram surpreendidas num cenário de confiança, sem defesa, sem gritos.
O que começou como pequenos desaparecimentos tornou-se um quebra-cabeças para a PJ. Foi preciso ligar pegadas, telefones, combustíveis e até as pequenas mentiras que João espalhava com destreza.
Foi preso em 2007. Não demonstrou remorso. O seu sangue frio, a inteligência usada para o mal, e a banalidade do seu disfarce chocaram o país.
Hoje, o nome dele pouco se ouve. Mas nas montanhas da Guarda, ainda se conta que o verdadeiro horror não faz barulho. Move-se em silêncio.
O Monstro de Aguiar da Beira Silêncio Mortal Parte1

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