segunda-feira, 21 de julho de 2025

Um Dia no Sangue da Lusitânia Episódio 4: Temporada 1: As Raízes do Destino


Temporada 1: As Raízes do Destino

Capítulo 1: A Terra Antes do Nome

Episódio 4: Um Dia no Sangue da Lusitânia

(Ano: 147 a.C.)


[Plano inicial: nevoeiro espesso cobre a Serra da Estrela. As folhas dançam ao sabor do vento. A câmara desce lentamente até um acampamento lusitano ao amanhecer. O fogo já se apagou. O chão ainda está frio. Homens e mulheres acordam devagar, cada um com um papel num dia que se adivinha longo.]

“Era mais um dia entre tantos na vida de um povo que se recusava a morrer. O Império apertava. Mas a montanha ainda pertencia aos lobos.”


Cena 1: Amanhecer no castro

Local: Castro de Hermínio, entre a serra e o vale.
Personagens principais:
Aelus, guerreiro de 28 anos, leal a Viriato.
Larta, sua esposa, curandeira.
Brenno, filho de 9 anos.
Viriato, ainda ausente (reaparecerá mais tarde).

[Aelus sai da cabana. O chão está húmido. Veste a capa de lã. À volta, o castro acorda. Um velho acende as brasas. Uma jovem transporta água em talhas de barro. Ouvem-se porcos a grunhir e cães a ladrar ao longe.]

“Hoje patrulhas romanas foram vistas no rio,” diz um dos guardas, com olhar tenso.
“Eles não param,” responde Aelus. “Mas também nós não.”

Larta prepara uma infusão para os mais velhos. Ensina a Brenno como moer ervas e limpar feridas. O menino ouve, mas os olhos brilham com outra coisa: quer ver o pai em batalha.

“Hoje vais ficar comigo,” diz ela.
“Mas eu quero ver o pai ser como Viriato.”
“O pai sobrevive. Viriato luta. É isso que deves aprender primeiro.”


Cena 2: Patrulha de reconhecimento

Hora: Meio da manhã.
Local: Desfiladeiro próximo do rio Zêzere.

Aelus e outros cinco guerreiros caminham em silêncio. Sabem que os romanos aproximam-se. Observam rastos: pegadas de botas pesadas, marcas de carroça. Um corvo paira sobre eles.

[A vegetação é densa. Ouvem-se ramos partir. Um silvo: é um aviso. Aelus ergue o punho — todos param.]

“Dois legionários. Sozinhos.”
“Batedores?”
“Ou isco.”

Planeiam. Dois escondem-se nos arbustos. Aelus move-se pela esquerda. É rápido, silencioso, como se fosse parte da floresta.

[Quando os romanos passam, os lusitanos atacam em sincronia. Um é morto de imediato. O outro tenta fugir — é capturado. Sangue na pedra. Um grito no vento.]

“Eles vêm pelo sul. Carros de suprimentos. Vinte, talvez trinta homens.”
“Viriato precisa saber. Já.”


Cena 3: O regresso e o conselho de guerra

Hora: Início da tarde.
Local: Castro.
Viriato entra na aldeia, vindo do vale. A barba está molhada de orvalho e sangue. Traz a expressão de quem conhece demais a morte.

[O povo reúne-se. Ele não grita. Fala baixo, mas todos ouvem.]

“Os romanos vêm. Não com força... mas com pressa. Pensam que nos cansaram.”
“Vamos dar-lhes sede. E deixá-los beber o nosso fel.”

*[Mapa em pele estendido no chão. Desenhos a carvão indicam o desfiladeiro, o vale, o caminho por onde os romanos virão. Viriato traça um plano.]

“Vamos fazer o que fazemos melhor: desaparecer... e depois cair como trovão.”


Cena 4: Preparação para a emboscada

Hora: Fim de tarde.
As mulheres escondem os mais velhos e as crianças nas cavernas. Os homens limpam armas, afiam lanças. Aelus beija Larta na testa.

“Se eu cair… Ensina o Brenno a sobreviver.”
“Não. Ensina-o a resistir.”


Cena 5: O combate

Hora: Anoitecer.
Local: Desfiladeiro de pedra. Os romanos entram, confiantes. O som das rodas, os cascos, o tilintar das armaduras. Silêncio mortal à volta.**

[E de repente — o inferno.]

Rochas rolam. Flechas assobiam. Homens gritam. Uma armadilha perfeita. Os romanos tentam reagir, mas o terreno é apertado. Os lusitanos são como sombras. Lança, golpe, retirada.

Aelus luta lado a lado com Viriato. Vemos os olhos do líder. Focados. Imparáveis.

“Eles acham que estamos a fugir. Mas esta terra é nossa. E nela, somos deuses.”

Ao fim de meia hora, o chão está vermelho. Os romanos fogem. Poucos sobrevivem.


Cena final: o silêncio após a batalha

Hora: Noite cerrada.
Aelus regressa ao castro. Está ferido. Larta corre até ele. Brenno olha-o como a um herói.

“Hoje lutaste com Viriato?”
“Não. Hoje… fui como ele.”

[A câmara sobe, mostra o castro iluminado por tochas. Ao longe, as montanhas dormem. A guerra continua. Mas esta noite… foi dos lobos.]


[FIM DO EPISÓDIO 4]

Um Dia no Sangue da Lusitânia A Batalha de 147 a.C.




 

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