domingo, 6 de julho de 2025

📖 Capítulo 1 – Episódio 10: Ecos de um Nome Esquecido


📖 Capítulo 1 – Episódio 10: Ecos de um Nome Esquecido

O corredor adiante parecia engolir a luz. Ricardo avançava lentamente, cada passo ecoando entre as paredes sujas e rachadas do prédio. Os sussurros haviam cessado mais uma vez, mas o silêncio não trazia conforto — apenas aumentava a tensão no ar, como se o próprio tempo hesitasse em seguir.

Seus olhos vasculhavam cada canto escuro. As sombras pareciam se mover, dançando ao redor como espectros. O cheiro de ferrugem e podridão era intenso, quase sufocante. E ainda assim, havia algo mais profundo naquela atmosfera: um peso invisível que pressionava seus ombros, como se o prédio inteiro estivesse vivo e atento.

Ricardo passou por uma porta de metal entreaberta. Ela rangeu, e o som metálico reverberou por todo o espaço. Dentro da sala, o ambiente era ainda mais claustrofóbico. Paredes cobertas de anotações desbotadas, quadros arrancados, fotografias rasgadas presas com fita, e — sobre uma mesa encardida — um velho gravador de rolo.

Ele se aproximou, o coração acelerado. Havia um botão gasto com a inscrição quase apagada: "Play".

Ricardo respirou fundo e apertou.

A fita girou com um zumbido mecânico antes que uma voz emergisse do aparelho. Uma voz familiar. Grave. Cansada. E, de alguma forma, aterradoramente próxima.

“Se você está ouvindo isso… então a Fase 1 já colapsou. Nós perdemos o controle… e o portador sobreviveu.”

Ricardo congelou. A voz era a do Dr. Elias Moura. Um dos cientistas do projeto GN-07. Aquele que, segundo os fragmentos de memória, estivera sempre nas sombras. O que nunca mostrava o rosto, mas sempre falava com autoridade.

“O Projeto Letum nunca foi sobre contenção. Sempre foi sobre transição. Precisávamos de um corpo que resistisse. Um hospedeiro que suportasse as mutações sem colapsar. E você, Ricardo… você foi o único.”

O sangue gelou em suas veias.

“Se chegou até aqui, é porque ativaram o protocolo final. O local em que você está é mais do que um abrigo abandonado — é um santuário de dados. Aqui estão todas as gravações, testes e registros que jamais poderiam ser divulgados. Inclusive… sobre você.”

A fita parou com um estalo seco.

Ricardo olhou ao redor. Os papéis. As fotos. Havia uma imagem rasgada com seu rosto parcialmente coberto. Data: 18 de março de 2039. Local: Complexo Experimental Delta-9.

O que diabos eles tinham feito com ele?

No canto da sala, uma porta de aço pesado permanecia trancada com um sistema de reconhecimento biométrico antigo. Um leve zumbido indicava que ainda estava em funcionamento. Ricardo se aproximou, instintivamente tocando o painel.

Um som agudo. Leitura feita. "Acesso autorizado."

A porta se abriu lentamente.

Atrás dela, um laboratório intacto, mergulhado numa luz fria. Computadores ainda ligados, tanques quebrados com restos de líquido viscoso, e — em uma cápsula ao fundo — uma figura imóvel, suspensa em um líquido âmbar.

Outra cobaia.

Ou pior…

Outro Ricardo?

Ecos de um Nome Esquecido Revelações Sombrias Parte 1


Ecos de um Nome Esquecido Revelações Sombrias Parte 2






 

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